Risco de rejeição e infecções ainda é grande para transplantes cardíacos

O dia 3 de dezembro de 2017 foi marcado pela comemoração dos 50 anos do primeiro transplante de coração humano em todo o mundo. O feito que ocorreu no dia 3 de dezembro de 1967, só foi possível graças ao cirurgião sul-africano chamado Cristiaan Barnard, que revolucionou a forma como os médicos lidavam com pacientes que precisavam de um coração novo. O grande marco ocorreu no hospital Groote Schurr, localizado em Cape Town, na África do Sul.

Naquele dia, o órgão transplantado foi destinado ao paciente de 54 anos Louis Washkansky, que após uma cirurgia que durou cinco horas, pôde viver por mais 18 dias até morrer de pneumonia, um efeito colateral das drogas que foram utilizadas para prevenir a rejeição do novo coração. O coração transplantado foi doado pela família de uma jovem de apenas 25 anos chamada Denise Darvall, que teve a morte cerebral constatada após ter sofrido um acidente de carro.

Atualmente, os transplantes de órgãos já são vistos como um procedimento padrão dos hospitais de todo o mundo. Depois de 50 anos do primeiro transplante, muitas coisas mudaram para que os pacientes não passem pela rejeição do órgão transplantado e para que as chances de sobrevivência sejam mais efetivas.

Um exemplo disso são os dados do ano passado, que indicaram um total de 6 mil transplantes de coração realizados no mundo. Os dados são do Observatório Global de Doação e Transplante. Outros dados relacionados da OMS – Organização Mundial da Saúde, indicam que mais de 72% de todos os pacientes que tiveram o coração transplantados vivem por pelo menos cinco anos. Já outros 20% desse total chega a viver até 20 anos após o transplante.

Embora tenha se passado bastante tempo desde o primeiro transplante de coração no mundo, os riscos de rejeição e de infecções causados pelos medicamentos ainda são as duas maiores preocupações dos médicos. Os dados indicam que um a cada três pacientes que morrem dentro do primeiro ano após o transplante tem ligação com infecções causadas pelos medicamentos que controlam o sistema imunológico para que o corpo não rejeite o órgão transplantado.

Atualmente, o ranking mundial de transplantes de coração é liderado pelos Estados Unidos, que realizou um total de 3.209 transplantes em 2016. Em segundo lugar aparece a França, com um total de 490 procedimentos realizados no mesmo ano. O Brasil aparece em terceiro lugar, com um total de 357 cirurgias do tipo realizadas no ano passado.